“Comecei a ler seu livro ao som do mar.”
Acordei hoje com uma foto de mar na minha caixa de mensagens, acompanhada destas palavras lindas.
Lembrei da primeira vez que pisei na areia de uma praia, já com vinte e poucos anos. Tinha acabado de terminar um relacionamento longo, e estava muito a fim de fazer acontecer qualquer coisa sem depender de ninguém.
Cheguei no litoral norte de São Paulo quando já estava anoitecendo, mas não desisti de colocar meus pés no mar. Foi uma experiência encantadora, ver o mar escuro e revolto no fim do dia, sentir a brisa, nem percebi se a água estava fria demais. Tinha algumas pessoas por ali, mas eram poucas. Fiquei alguns minutos, sentindo os pés afundando na areia beira mar. Não ventava. Foi meu primeiro encontro com a água salgada do mar, e estava ali por meus próprios recursos.
Na manhã seguinte, o dia estava nublado, o sol estava tímido, tão parecido comigo que nunca na vida tinha vestido roupa de banho! O mar devia estar frio, mas eu não me importei e realmente não senti o impacto. Fui ver de perto o mar durante o dia, entrei na água e fui caminhando para o fundo… não sabia nadar. Fiz um esforço para afundar a cabeça na água e me banhar por inteiro, venci o medo. A areia não dava pé! Foi a sensação de insegurança mais bem vinda que já vivi!
É verdade que banho de mar lava a alma. Foi um encontro com o mar muito propício. Aquela imensidão diante dos meus olhos me mostrou um pouquinho de tudo que é possível alcançar, bastava dar um passo. Aquela beleza infinita era Deus me dizendo que tudo dependia só dele e mais ninguém. Foi um marco de uma nova história que estava recomeçando do ponto de onde nunca deveria ter parado.
E não satisfeito, meu leitor finalizou a tarde dizendo “comecei a ler e mergulhei de cabeça”! Não sabe a satisfação que me dá uma reação dessas! Que cada um que leia um de meus versos possa igualmente mergulhar em si mesmo e encontrar sua própria voz e o sentido da vida.
O poema abaixo, faz parte do meu livro Rosa Apaixonada, e o escrevi quando eu ainda apenas sonhava em conhecer o mar:
Grão de Areia – O sonhador
Oh, Senhor!
Olhei pro céu e mirei tua estrela
Que me dizia coisas de amor,
Ali fui mais que um grão de areia,
Ali fui mais que um sonhador;
Eu, feixe insípido, imortal
Que uma vez amanheceu à margem
Da imensidão do litoral,
A vi no céu alto de vertigem,
Como se pudesse galgar…
E noite após noite eu mirava
Atento qual um sentinela,
Havia tristeza em dias de chuva,
Por onde andaria minha estrela,
Onde sua luz alumiava?
A bela, da linha do mar,
Vem renascida com a lua,
Pousando brilho como a garça
Que na areia tua beleza apruma,
E se engrandece, enche de graça;
Ela dizia coisas de amor,
Meu coração foi nossa messe,
Todos os sonhos que engrandecem
Eu me tornei merecedor,
E me mostrou tudo que é o amor
Sem me dizer que eu não pudesse.
fevereiro 23, 2026 at 2:33 am
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