O paradoxo da escolha

Já parou para pensar que apesar de sermos livres para fazer escolhas, não somos donos exclusivos dos nossos próprios desejos?

Nossas escolhas são sugestionadas por uma série de fatores, desde a criação familiar, religião, escola, ideologias, mídia, amigos, entre outros.

Teríamos livre-arbítrio se não tivéssemos sido involuntária e inconscientemente influenciados por nada e pudéssemos escolher qualquer coisa isentos de sugestões. O que é impossível!

Ainda que fosse factível nos libertar de induções familiares ou sociais, ainda existiria a raiz do problema que nós cristãos chamamos de pecado.

Existem duas inclinações básicas guiando os homens no mundo: o pecado ou o Espírito de Deus. O pecado é o princípio ativo que corre nas veias de todo ser humano. Pecador é quem nasce, não quem peca!

Pecar é o dom de conhecer o bem e o mal sem ter o poder de escolher o bem quando dominados pelos apetites da natureza. Sem o Espírito de Deus, nossas escolhas parecem deixar sempre um fio solto no novelo da história.

Certa vez li sobre duas vizinhas, uma queria que chovesse para molhar sua horta, e estava usando todo seu poder de escolha e mentalização para atrair a chuva. A outra vizinha, movida pelo mesmo poder e crença, escolhia que não chovesse porque sua roupa estava no varal. 

Sem alguém maior coordenando o “poder decisivo” das duas, não tem como resolver o paradoxo sem culpar nenhuma delas por não ter fé necessária.

Se todos os músicos de uma orquestra escolhessem tocar trompete não haveria orquestra, e se cada um desejasse tocar uma música diferente – a despeito da condução do maestro – não haveria harmonia. 

O maior desafio no estudo do desenvolvimento humano é considerar o que existe entre a vontade e a escolha.

Elisabeth Elliot escreveu:

Deus concebeu o mundo de tal forma que o homem deve ter vontade e deve trabalhar. Deus não nos coage a segui-lo. Ele nos convida. A vontade dele é que nós tenhamos vontade – isto é, ele deseja a nossa liberdade de recusar ou de aceitar”.

Ou seja, temos sim a escolha, mas o que determina as nossas opções? Escolhas são feitas de forma consciente ou inconsciente, estas, por sua vez, não nos torna livres da responsabilidade pelos resultados.

Ser livre desconectado do maestro da vida é o mesmo que ser escravo, pois não se tem acesso à bússola, ao GPS verdadeiro que nos direciona, ao mestre onisciente que nos impede de querer que chova quando a prioridade é a roupa no varal da vizinha.

A definição bíblica de fé diz que é “o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem”.

O que vemos não é feito do que é aparente, a matéria é uma parte do que podemos explicar com nossa visão limitada, mas a fé nos move por aquilo que está além das nossas vistas.

O texto que contém a citação acima, também mostra várias escolhas movidas por uma ação de foco e energia, o resultado de estar ancorado no fundamento correto, direcionados pelo maestro. 

Não deixe sua horta morrer seca, reflita: em quem estão fundamentadas suas vontades? Quem é o guia das suas escolhas?

A vida é como uma antologia que um generoso criador deixou disponível para que pudéssemos escrever nossos próprios contos e poesias. Só não podemos exceder o limite de páginas, nem fugir ao propósito do livro da vida!

2 Comments

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