Duas situações de violência sexual seguidas de uma gestação chocaram o país nas últimas semanas. Uma delas foi o caso da menina de 11 anos, grávida de 7 meses cuja mãe entrou com a denúncia de estupro para solicitar o aborto.

Nesse caso, a justiça entrou com medida protetiva para retirar a menina de casa, pois o suposto estuprador seria um adolescente que morava no mesmo endereço, e com quem a menina teria uma relação. Além de tentar evitar que a mãe da adolescente induzisse o aborto da filha por outras vias antes da aprovação judicial.

O que a mídia não disse é que o aborto não pouparia essa menina do trauma do parto. A diferença é que seria um parto de um bebê mutilado dentro da barriga e removido esquartejado, ao invés de um bebê vivo. Mas ainda assim, um parto.

O outro caso, foi da atriz Klara Castanho, que veio a público após o hospital vazar informações sobre o parto de um bebê que ela entregou para adoção direta, que segundo ela, era fruto de um estupro. 

Embora tenha tomado pílula do dia seguinte, não serviu para interromper a gravidez. Klara escondeu o estupro, pois segundo seu relato “sentiu culpa e vergonha”. Em sua declaração a atriz não mencionou quem seria o estuprador ou as condições do estupro. A única informação é que não foi gerado boletim de ocorrência.

Considerando apenas a premissa dos fatos narrados até então, o que diferencia um caso do outro e que o bebê da segunda história mereceu o direito de viver a vida* e receber uma família para lhe dar “amor, cuidado e tudo que merece ter” nas palavras da própria Klara. O bebê é tão vítima quanto as moças envolvidas nos casos.

O que existe em comum é o mistério sobre quem seria o estuprador. Não há engajamento popular para punir o estuprador, apenas para matar bebês resultados de estupro. Já escrevi outra vez sobre o caso de aborto de uma adolescente até mais jovem. Minha opinião não mudou a respeito.

O que assusta é a comoção e palpite popular incitando o aborto sobre meras denúncias. Dificilmente esse precedente não abre brechas para facilitar abortos usando falsas acusações, pois até o julgamento e comprovação, a ação já foi feita. Enquanto isso, os estupradores reais seguem ilesos.

Sem nenhuma dúvida a decisão da Klara Castanho não foi fácil, independentemente dos detalhes da história que podem ter sido tão terríveis quanto. Mesmo assim, é viável, e do meu ponto de vista a escolha mais branda. 

Matar o bebê não livra nenhuma mulher do trauma da violência, tenha sido ela feita por um desconhecido na rua, ou forçada por um até então namorado. Aborto também não poupa nenhuma mulher dos riscos da cirurgia para retirada do bebê.

Há demanda por adoção de recém-nascidos, assim como também há um estigma sobre quem deseja esse tipo de adoção, sempre privilegiando adoção de crianças maiores. No entanto, são batalhas que poderiam vir em conjunto. 

O ideal seria punir severamente os estupradores e educar as gerações de jovens. Há tempos que estupro não é somente coisa de homens com distúrbios graves, psicopatas sem sentimento, mas de homens que desaprenderam a lidar com o “não”. Grandes crianças mimadas que querem tudo à mão na hora que bem desejam. 

Sem entrar no mérito de princípios e valores morais, que levaria a questionar vários outros pontos relacionados a sexualidade, seja precoce ou não, dentro ou fora de um relacionamento conjugal. 

Seria bom que não existissem mais casos de estupro, tampouco tendo uma gravidez como resultado. Entretanto, seria muito melhor aplicar a solução do caso da Klara a todas as concepções que não gerassem risco de vida à mãe. Que não parecia ser o caso da menina de 11 anos. Uma coisa é sugerir a continuidade da gestação e qualquer tipo de parto dito normal. Outra diferente é matar uma criança que tinha plenas condições de sobrevida em incubadora e posterior adoção. 

No vídeo a seguir, postado pela deputada Ana Caroline Campagnolo, é explicado como é o “aborto” de gestação avançada e como essa menina não foi poupada em nada, apenas fez mais uma vítima:

*Viver a Vida era o nome da novela de estreia da atriz Klara Castanho na TV Globo.