Algumas pessoas são naturalmente mais caladas, mais reservadas. Não são capazes de expressar sentimentos e pensamentos com frequência, salvo em situações específicas com pessoas de confiança.

Outras, até são mais falantes, mais expressivas, no entanto, quando não estão num ambiente que favoreça sua espontaneidade e sua necessidade de afeto, elas tendem a se calar também.

No primeiro caso, as pessoas naturalmente caladas sofrem quando não tem aquela pessoa de confiança com quem pode extravasar suas emoções. 

Elas costumam estourar diante de circunstâncias difíceis, quando chega no limite do que pode suportar, mesmo que esse limite geralmente comporte quase o mundo inteiro, um dia transborda.   

No segundo caso, a pessoa que gosta de comunicar sentimentos, mas por algum motivo aprendeu que é errado ou sente que ninguém se importa com o que ela diz, ela geralmente desconta essa necessidade em comida, gastos compulsivos e outros vícios. 

Existem diversas formas de contornar a necessidade de expressar sentimentos e pensamentos quando não temos com quem conversar.

Uma delas é a escrita. A psicóloga e analista corporal Vanessa Cury, explica que escrever é a melhor maneira de organizar os pensamentos e nomear tudo que sentimos. 

Escrever nos ajuda a perceber a diferença entre:

Os fatos – aquilo que aconteceu; 
Os pensamentos – ideias que passaram pela mente;
Os sentimentos – sensações e emoções que nos afetaram;
As reações – ações tomadas por causa dos sentimentos e pensamentos. 

Há uma supervalorização da razão em detrimento da emoção. Pessoas mais emocionais tendem a ouvir coisas como “seja racional, use a lógica!”

A realidade é que cada um de nós tem uma medida de razão e emoção que precisam estar em equilíbrio.

O que pode ser um problema é que a potência das emoções, geralmente detém o controle das reações. 

Às vezes não dá tempo de racionalizar antes de reagir, por falta de hábito de questionar uma conclusão emocional.

Quantos de nós já não encontrou várias soluções melhores para uma situação, depois de já ter reagido por impulso? 

A escrita ajuda a criar esse repertório de razões claras para nossas sensações. 

O hábito de escrever somado a um ambiente que acolha essa necessidade de comunicar-se, traz o equilíbrio que pessoas mais emocionais precisam para substituir reações por decisões conscientes. 

Não significa que a escrita vá compensar a ausência de contato humano de qualidade. Contudo, é uma forma sempre à mão de nos dar a atenção que precisamos.

Escrever é terapêutico, o relacionamento é cura.

É importante saber acolher a si para aprender a acolher o outro. É verdade que não sabemos dar o que não recebemos, mas é certo que afeto, amor, atenção, tudo isso temos em Deus. 

Receba!

Aproveite que o criador escolheu deixar sua palavra escrita, para que todos o conhecessem. Escreva e dê asas aos teus pensamentos!

Reflita: Você é mais sentimental ou racional? Mais calado ou falador? Já sentiu as vantagens de escrever para ter clareza dos próprios pensamentos e sentimentos? 

Com o silêncio fiquei mudo; calava-me mesmo acerca do bem, e a minha dor se agravou.
Esquentou-se-me o coração dentro de mim; enquanto eu meditava se acendeu um fogo; então falei com a minha língua: Salmos 39:2,3