Desista de receber amor dos seus pais ou vai perder o controle da sua vida!

É o que nos ensina Britney Spears, não por suas palavras, mas por trás da comunicação escondida nas falas descritas em sua autobiografia “A Mulher em Mim”.

De volta às manchetes do showbiz após a venda dos direitos de adaptação do seu livro para a Universal Pictures, Britney nos deixou por escrito um prato cheio de como sua mente funciona.. 

Vamos entender como ambientes desfavoráveis e relações de dependência emocional transformaram a princesa do pop em refém do pai, e segundo ela, desprezada pela mãe e irmãos. 

Os trechos do livro selecionados a seguir, explicam pela engenharia reversa da comunicação quais traços de caráter da cantora estavam na dor no momento dos acontecimentos.

Ao final, você saberá pela análise corporal, quais os sinais de que essa novela ainda aguarda novos capítulos, a menos que Britney conheça o padrão de funcionamento da sua mente e aprenda a trazer consciência e controle sobre os seus recursos. 

Entre Razões e Emoções

“Tudo o que queria era que me tirassem do mundo cotidiano e me levassem a um reino onde eu pudesse me expressar sem pensar. Quando estava sozinha, minha mente era tomada por preocupações e medos. A música interrompia o barulho, fazia eu me sentir confiante e me levava a um lugar puro para eu me expressar exatamente como desejava ser vista e ouvida”. 

Embora num contexto geral, Britney seja um pouco mais racional que emocional, na prática, quando a coisa esquenta a sua resposta imediata passa longe do pensamento, suas emoções costumam chegar primeiro seguidas da ação. A narrativa da sua história mostra o quanto isso é verdade, e o padrão de funcionamento da sua mente explica por quê. 

Todos nós, da gestação até os 6 anos de idade, passamos pelo processo de formação do sistema nervoso, no qual o desenvolvimento da nossa medula espinhal nos dá diversas sensações e controle corporal. Com essa explosão de informações acontecendo com a criança, há também situações ocorrendo no ambiente, entre as pessoas, que causam percepções.

Essas percepções podem provocar medo da rejeição, abandono, manipulação, decepção e traição, que por sua vez, faz com que a criança desenvolva recursos para lidar com essas dores, na forma de criatividade, comunicação, sedução, organização e realização. 

O quanto de cada recurso cada pessoa terá depende do tanto que ela precisou ou não se proteger de cada uma das dores dos traços. No caso da Britney, o medo do abandono e de ser traída, ou preterida, foi o que predominou, marcando seu padrão de funcionamento e sua ordem de resposta aos acontecimentos.

Se expressar sem pensar era uma necessidade da pequena Britney, porém ela cresceu num ambiente em que ela não tinha essa liberdade, mesmo porque, desde pequena ela já era artista, e precisava ser extremamente polida à frente dos holofotes. 

Atenção! 

“Me esconder era uma forma de chamar atenção. Eu queria me esconder, mas também ser vista. As duas coisas são verdade. Agachada na fria escuridão de um armário, eu me sentia tão pequena que poderia desaparecer. Mas com a atenção de todo mundo voltada para mim, eu me tornava outra pessoa, alguém que poderia comandar qualquer espaço.” 

Pode-se dizer que com a atenção de todos voltada para ela, Britney não se tornava outra pessoa, ela se tornava quem ela precisava ser: uma estrela. No entanto, o desafio de “chamar atenção a qualquer custo” que muitas vezes travamos inconscientemente pode ser perigoso.

Na infância, a pequena Britney se escondia no armário, depois passou a forçar sua presença cantando nas reuniões de família, como ela mesmo narra, depois passou a sentir o gostinho da fama, e de repente sua carreira acabou virando um reflexo de um vazio que ela sentia:

Britney passou a ser vista por parecer rebelde. 

Embora o traço de caráter rígido tenha trazido toda a agilidade, habilidade com as performances, a harmonia corporal e uma energia fora do comum para Britney, quando na dor, esse traço reage mal a sensação de não ser a melhor, de existirem outras opções melhores do que ela. 

Mesmo sendo uma estrela amada em torno do mundo, o afeto dos seus pais e irmãos, na sua percepção eram escassos, e isso tornou a cantora uma máquina de sucessos e fama, presenteando a família com casas e carros, e todo o luxo que podia dar, em troca de uma migalha de aceitação e afeto, e como podemos imaginar, nunca se cumpriu. 

O primeiro amor 

Para todos nós, a primeira referência de masculino e feminino vem dos pais. Com Britney não seria diferente. Sua história de amor e ódio, de agonia e dependência emocional com o pai foi o fio que desenrolou todo o enredo da sua história. 

“Agora vejo com mais clareza que ele estava se automedicando depois de ter sofrido durante anos os abusos de seu pai, June” 

Britney narra que seu pai foi um alcoólatra ausente durante sua infância, que sua mãe frequentemente discutia com ele bêbado, e que ela saia em defesa do pai, ou tentava poupá-lo das crises de nervos da mãe, já que ele não teria condição nenhuma de fazer nada com as reações dela. 

Ela diz que seu avô era abusivo e exigia perfeição do filho no esporte. Britney tenta justificar, de certa forma, o comportamento de seu pai colocando suas atitudes na conta do avô. É fato que sofremos influência de nossos pais, mas sempre seremos responsáveis por nossas atitudes. 

“As pessoas vinham de longe para vê-lo jogar, como também fizeram um dia para ver meu pai jogar. Ele era bom – não tanto quanto meu pai tinha sido, mas ainda assim, era um gênio com a bola.” 

Comparar todos os homens com o pai, é típico das rígidas que têm dependência emocional com a figura paterna. Ao narrar um dos seus primeiros crushs do colégio, Britney setou sua régua na sua principal referência masculina: o pai.

Inclusive seu relato narra uma cena que jamais viu, que possivelmente ela só conheceu por vídeo ou pelos próprios relatos do pai e familiares: um homem que brilhou e fez sucesso apesar do pai abusivo. Parece familiar, não?

A frustração de não ter sido amada pelo pai refletiu em seus relacionamentos amorosos, como veremos mais à frente.

I’m Not a Girl, Not Yet a Woman

“No Brasil, me senti livre, como uma criança em alguns aspectos – uma mulher e uma criança ao mesmo tempo.”

Os picos dos traços Oral e Rígido geram esse conflito “menina-mulher” que Britney relata, muitas vezes com certo incômodo, como se fosse um defeito, quando na verdade é apenas o padrão funcional dos seus traços. 

“Eu sempre fui perturbadoramente empática. Sinto que as minhas emoções estão sempre sincronizadas com as emoções das pessoas ao meu redor. Não sei que palavra hippie você quer usar – consciência cósmica, intuição, conexão psíquica. O que sei é que, com absoluta certeza, posso sentir a energia de outras pessoas.”

Não é palavra hippie, se chama traço de caráter oral. Outra característica desse traço, além do lado menina da cantora, é o que ela chamou de empatia. 

Está comprovado cientificamente que uma das qualidades do traço de caráter oral é o poder de se conectar com as emoções e sensações das pessoas ao redor, mesmo sem intenção. O que pode ser perturbador para quem está sempre em volta de milhões de pessoas, e pior, viveu rodeada de paparazzi que só esperavam uma derrapada dela para conseguir uma foto de milhões…

Toxic

“As decepções na minha vida amorosa não foram os únicos motivos para eu ter ficado isolada. Eu me sentia muito estranha o tempo todo. Eu tinha uma ansiedade social na maior parte do tempo. Eu tinha medo de ser julgada ou de dizer algo estúpido. Quando esse sentimento surge, quero ficar sozinha” 

Na verdade, as decepções amorosas foram decisivas para que Britney Spears afundasse na dor essencial do seu traço de caráter rígido: a dor de ser preterida. Embora o recurso desse traço seja a execução com perfeição e ele goste de brilhar, quando sente que não consegue ser a melhor opção, esse traço tende a se isolar. Se não for para ganhar ele nem joga!

Quando narra o término do seu relacionamento com o cantor Justin Timberlake, ela conta que tolerou traições, fez um aborto por amor a ele, que embora eles tenham permanecido juntos, ela o traiu para ficarem quites, e por fim ele terminou com ela por mensagem, e expos que ela o havia traído ficando como o bom da história. 

Até o fim de sua autobiografia, ao falar de Justin, esse término não pareceu superado. Mas houve algo em comum na reação de Justin, e mais à frente de seu ex-marido Kevin, que está intimamente ligado com a relação de Britney com seu pai:

Todos eles a usaram para se promover ou levar vantagem e não lhe deram o amor que ela queria ou julgava merecer. 

Work Bitch

Como já mencionado, “fazer” sempre parecerá pouco ou nada quando a pessoa com traço rígido na dor não estiver sentindo que ela é boa o suficiente. Há uma separação entre quem se é o que se faz, e quando ela não se enxerga, sucesso, beleza ou fama nenhuma vai cobrir essa lacuna. 

“Trabalhava direto por horas. Minha ética profissional era sólida. Nunca saía. Permanecia no estúdio o máximo de tempo que podia. Se alguém quisesse ir embora, eu dizia: “Não fui perfeita”. 

Perfeição é a palavra de ouro da cantora. Ao todo 40% da Britney Spears exige perfeição, embora um dos seus maiores traços quando sobrecarregado, quando quer chamar atenção de alguém que não está se importando tanto quanto ela acha que deveria, tende a nunca alcançar a meta do que considera perfeito, mesmo que para todos ao redor esteja sensacional.

“Eu gosto do trabalho. Gosto de praticar. Isso tem mais autenticidade e valor que qualquer outra coisa”.

Execução é o segundo substantivo do traço de caráter rígido. Uma máquina de trabalhar, somado a seus 7% do traço masoquista, deu a Britney a capacidade de praticar suas coreografias até sentir que estavam perfeitas. Embora repetição não fosse seu forte para além do que sua vontade de brilhar mandasse.

Em certo momento Britney narra que tentou diversas vezes mudar as músicas e coreografias da sua turnê em Las Vegas, já sob a curatela do pai que não a deixava controlar nada em seus shows. Fica evidente que a capacidade de repetição do mesmo processo para Britney é desgastante.

Dependência Emocional

A percepção de ausência de amor dos pais registrados por Britney fizeram com ela vivesse voltada para agradá-los. 

“Não importa quantos fãs eu tivesse no mundo, os meus pais nunca pareceram pensar que eu valesse muito. Quando comecei a dizer o que pensava e retribuir um pouco do que recebia – só Deus sabe que estavam longe de ser perfeitos – eles não gostaram muito. Mas ainda assim tinham um grande poder emocional sobre mim.”

A dependência emocional se manifesta quando pessoas interferem nas nossas emoções e decisões, seja por ação direta, ou quando fazemos ou deixamos de fazer algo para evitar ou provocar reações nos outros. 

Não se sentir amada por seus pais foi o principal fator que tirou Britney Spears do eixo. O medo de ser abandonada, de não ser querida, ser preterida ou ter sua confiança traída eram as suas dores essenciais, e a relação com os pais e irmãos foi um constante cutucão em sua ferida emocional, que jamais cicatrizou.

Até o fim do livro, Britney deixou escapar a expectativa de que eles entendessem seu sofrimento e se compadecem, ou que ao menos fossem afetados – ainda que negativamente – por sua voz, enfim ouvida por todos no livro:

“Por ter sido silenciada por treze anos, me pergunto se, ao me verem falando abertamente, por acaso pensaram: Talvez ela tenha razão. Acredito que eles sintam peso na consciência, e que, no fundo, sabem que o que fizeram comigo foi muito, muito errado”.

“Ele me amou incondicionalmente. Ele não era como o meu pai, que havia estabelecido condições impossíveis para me amar”

Mais uma vez, comparando seus amores com seu pai, Britney conta a história de seu romance com um antigo papparazzi, que ela preservou o nome. Ele também deixou seu depoimento anônimo bem relevante no documentário Britney x Spears, da Netflix. 

Aliás, embora alguns documentários tenham sido favoráveis à sua imagem, como esse da Netflix, ela se sentiu traída por seus amigos que deram depoimento sem falar com ela antes: “Me chocou que pessoas em que eu confiava aceitaram ser filmadas”. 

Mais tarde ela conta que descobriu que o fotógrafo era casado, ou seja, embora ele realmente a amasse e lhe desse atenção, no fim das contas ela era só a amante, não era a única mulher da vida dele. Apesar disso, eles se separaram antes dela descobrir isso, devido à sua internação seguida da curatela do pai.

O friso da comparação do amor do fotógrafo versus o amor do pai, contudo, ficou marcado por sua dor pelo principal amor que ela jamais teve, algo como: “custava meu pai ter feito o mesmo por mim que esse estranho?”

Sentir-se incompetente o tempo todo destrói você por dentro quando criança. Ele martelou essa mensagem em mim quando eu era pequena e, mesmo depois de ter conquistado tantas coisas, continuava fazendo isso comigo.”

Quando a dor do traço se manifesta de forma aguda, é comum essa sensação. Não que o que ela faça realmente não seja bom, ou que ela fique sem capacidade de fazer algo e ser competente nisso, mas a dor do traço rígido a deixa descolada da realidade. Por isso é comum a procrastinação, o isolamento ou o piloto automático, que é o fazer bem feito, sem dar para si valor ou créditos.

Britney pode até ter sido vítima do pai, abusada psicologicamente, ou pode ter sofrido isso por suas próprias interpretações sobre o comportamento do pai, independentemente das intenções dele. 

O fato é que agora Britney é uma adulta, é mãe, e deve tomar as rédeas da própria vida, o que infelizmente deveria ter sido feito desde seu primeiro álbum de sucesso, não fosse sua luta por ser amada e vista por seus pais… 

“Eu ainda estava sendo legal, procurando agradar, desesperada para fazer a coisa certa e ser uma boa menina” …

“Eu os imaginei se curvando para mim.”

Beleza e Destaque

 

“E não importava as dietas ou os exercícios que eu fazia, meu pai sempre me dizia que eu estava gorda. E nada funcionava. A dieta dava resultados opostos ao que meu pai esperava. Ganhei peso. Mesmo que não estivesse comendo muito, ele me fazia sentir tão feia e como se nunca estivesse sendo boa o suficiente. Talvez isso tenha acontecido por causa da força dos pensamentos: você se torna aquilo que pensa.”

O excesso de peso tem três funções: destaque, proteção e força. Por estranho que pareça, quando Britney começou a dar “problemas” seu pai ausente resolveu cuidar dela, ainda que de modo – segundo ela – estúpido e interesseiro. O excesso de peso colocava Britney sob os holofotes do pai, era melhor ser notada por estar gorda do que ser invisível…

Por outro lado, machucada por suas relações amorosas, Britney também precisava se proteger sexualmente das relações, e uma forma inconsciente de fazer isso, é se sentindo feia, o que no caso dela, passava por estar acima do peso. Na mente de Britney, no auge da sua dependência emocional, se o pai a achava feia por ser gorda, significava que ela era de fato feia.

O desfecho de uma história mal contada…

“Eu tinha sido enganada nos últimos treze anos. O mundo inteiro sabia que eu precisava de um novo advogado, e finalmente, me dei conta da mesma coisa.

Britney diz que foi informada no início da curatela de que não poderia escolher seu próprio advogado, e embora o representante escolhido não lhe prestasse nenhuma ajuda sólida, passaram-se 13 anos até que Britney resolvesse por si só procurar outro. 

Curiosamente isso só aconteceu quando ela decidiu acabar com a curatela, o que por sua vez ocorreu após sua última internação que durou meses sem que nenhum familiar fosse visitá-la. 

“Eu aguentei ser controlada durante muito tempo. Mas quando a minha família me colocou naquele hospital, ultrapassou os limites. Fui tratada como uma criminosa. E eles me fizeram pensar que eu merecia isso. Fizeram com que eu esquecesse do meu valor e da minha importância”

Naquele momento Britney tinha tomado conhecimento do movimento dos fãs em prol do #FreeBritney, que estavam se movimentando desconfiados de que a internação dela não teria sido consentida, e que estava se prolongando além da conta. Isso a fez perceber não só a sua importância, mas preencher uma lacuna que estava vazia há muito tempo: ela se sentiu amada e vista, por outro lado, ela decidiu desistir – ao menos naquele momento – de querer agradar ao pai e sua família de origem. 

Ficou fácil, sabendo que teria apoio dos fãs, romper aquela barreira, que a bem da verdade estava em suas mãos o tempo todo! Britney não narra o tempo das coisas, mas foi relativamente rápido encerrar a curatela a partir da troca do advogado.

“Eu me senti traída pelo meu pai, e, de forma muito triste, pelo resto da minha família”

No fim das contas, sua autobiografia foi mais uma tentativa desesperada de mostrar para os pais o quanto ela sofreu com tudo, e que se submeteu a esses treze anos, na esperança de que eles se dessem conta antes e a libertasse, mas como isso não aconteceu, ela teve que partir sem nunca experimentar o amor que tanto quis receber.

Até que ela resolva dentro de si as expectativas pelo amor do pai, Britney nunca conseguirá se sentir realizada amorosamente, sempre vai compará-los de alguma forma ao ideal que ela construiu na figura do “pai campeão” ou vai atrair homens que no fim das contas, ou serão desleais, ou vão usá-la para benefício próprio. Quando não, as duas coisas. 

Mas, ao assumir que ela própria e seus dois filhos são suas únicas prioridades, retomando a realização de seus sonhos, seja como diva pop ou qualquer outra coisa – desde que no palco da vida, pois ela nasceu para isso, e sobretudo desistindo das suas relações tóxicas, sem raiva e nem rancor, pela clareza de que eles não têm poder sobre ela se ela não permitir, então veremos uma linda menina-mulher brilhando novamente!