Você já ouviu ventos uivantes de madrugada?

Talvez queira aprender a lição que um deles me trouxe.

Nos anos 90 existia uma música que dizia mais ou menos assim: 

Vento, ventania, me leve para onde nasce a chuva

Me leve pra qualquer lugar

Me leve mas não me faça voltar

É comum quando estamos insatisfeitos querermos sair de um lugar e não voltar, mesmo sem fazer nada a respeito. Queremos sair por força do acaso, do vento, do “deixa a vida me levar”.

Quantas vezes navegamos em redemoinhos, sem rumo, e lá no fundo sentimos até uma satisfação pelo enredo de novela mexicana das nossas vidas? A vítima das consequências inevitáveis. Dói admitir, mas é o primeiro passo para uma mudança verdadeira.

Existe a frase famosa do livro Alice no País das Maravilhas que diz “Se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve”.

Qualquer emprego, qualquer “influencer”, qualquer terapeuta, qualquer curso (está na moda postar certificados na rede ao lado, quanto mais melhor?).

A questão é: onde você quer chegar com todas as coisas que alimentam sua alma? 

Sua forma de se entreter te deixa mais leve ou mais tenso?

Seu trabalho te leva para algum lugar além do salário no fim do mês? Quais seus aprendizados, onde pretende chegar nele ou por meio dele? Pode ser apenas um trampolim, uma estadia enquanto planeja algo melhor. Mas você tem essa visão?

Você se permite ir além dos requisitos do seu cargo? Ir além de onde sua família de origem jamais foi? Se permite seguir e deixar para trás conhecidos que preferem esperar a ventania levá-los para qualquer lugar? Você tem permissão para ser quem você é? Ou está parado esperando Deus prover?

A provisão vem na medida da nossa fé, nossa obediência em seguir as coordenadas de um maestro invisível e suas partituras. Um instrumentista é capaz de criar uma grande desarmonia na orquestra se ficar parado esperando o maestro fazer o que cabe a ele próprio.

É o fim de Alice. Seja daquela que não sabe onde vai ou a iludida que insiste no otimismo irracional que superestima a realidade ou as capacidades próprias e dos outros. Por incrível que pareça existe um otimismo racional, mas isso é tema para outro texto!

Não espere o vento levar (ou trazer) o que cabe a você construir, atrair ou mudar.