Não é fácil ser quem somos. E nem entender os outros. Algumas pessoas fizeram escolhas de vida polêmicas, e naturalmente devem lidar com pressões psicológicas bem grandes. Mas mesmo vidas mais comuns são passíveis de conflitos íntimos.
Existem traços de personalidade ou caráter, que quanto maior a dor interna, mais ela sai apontando erros alheios e expondo os outros. Às vezes nem era a atual situação que estava machucando, mas é nela que a pessoa acaba descarregando toda a agonia.
Sabe o que isso significa? Que está doendo! E que culpa os outros têm disso? Nenhuma! Algumas pessoas são panelas de pressão, outras tratores, outras são a encarnação da perfeição, e quando algo sai do controle, dói, e tudo que resta é sair caçando os imperfeitos para que ela se sinta melhor, ou explodir para aliviar a pressão, ou sair passando sem dó por cima de quem estiver pelo caminho.
Na mesma situação também existem dois outros tipos de pessoas menos agressivas, que vão chorar ou se isolar do mundo. Embora as que choram também gostam de reclamar para colocar para fora a dor. Mas reclamar pode até encher o saco de uns, mas não prejudica ninguém.
Precisamos aprender a curar nossa própria ferida. Só então saberemos lidar com pessoas no pico de suas dores existenciais. Até lá, corremos o risco de sermos essas pessoas, ou vítimas delas, quando não as duas coisas ao mesmo tempo.