Em meu artigo O Poder das Evidências, publicado na Revista Entre Poetas e Poesias, falei sobre a importância de mudar a perspectiva da forma como olhamos para as pessoas e circunstâncias. 

A frase “o golpe está aí, cai quem quer” é verdadeira, só que na maioria das vezes caímos “sem querer, querendo”. Acreditamos em situações que causam vergonha alheia em quem vê de fora, mesmo que essa mesma pessoa que ri de nossas babaquices, seja ela mesma um poço de crenças em “histórias de pescador”.

Muitas vezes não temos noção de porque queremos o que queremos. No entanto, uma das soluções descobertas por pesquisadores, consiste justamente em “moldar o querer” de forma consciente e intencional.

Uma Pesquisa Interessante:

Para ilustrar o poder da crença, uma pesquisa americana fez um teste de inteligência em alunos de uma escola primária. Os pesquisadores anunciaram que três alunos dentre os participantes foram identificados como gênios e apresentavam maior potencial de crescimento.

Eles instruíram os professores a não mencionar o resultado aos alunos e não se dedicarem mais a eles que aos demais. Os professores seriam observados para garantir que isso não aconteceria. Ao final do ano letivo, os alunos passaram por novo teste e eles de fato apresentaram desempenho fora do comum.

Tudo seria óbvio e previsível, não fosse o fato de que o anúncio inicial era falso. Os três alunos não eram gênios, eram apenas amostras aleatórias dentre os de resultado mediano. O que então transformou esses alunos medianos em fora da curva, sendo que eles sequer foram informados de que eram supostamente especiais?

Por mais que os professores não tenham comunicado verbalmente e não investiram nenhum esforço anormal neles, a crença dos professores no potencial daqueles alunos foi manifestada, de forma não verbal e inconsciente, e captada pelos alunos, que foram transformados pela crença positiva neles.

É fácil imaginar que o oposto também vale, se acreditamos no pior, que não somos merecedores, bons o suficiente ou pessoas de valor, vamos transmitir essa crença ao redor (por mais que o perfil da rede social mostre o contrário) e os resultados serão de medianos a ruins. 

O poder das crenças

A autoajuda possui uma falha de abordagem. O termo já começa errado: “autoajuda”. Todas as técnicas são vendidas como um potencial para você ajudar a si mesmo, mas a partir do momento que preciso ter acesso a algo dado por terceiros na verdade estou sendo ajudado! Pensar no esforço de fazer algo sozinho já cria resistência em alguns que na verdade não querem ajuda.

Outros, e me inclui por um tempo entre os que tinham esta perspectiva, dizem que preferem a ajuda do “alto” (de Deus) à autoajuda. No entanto, assim como descreveu John Nelson Darby, a responsabilidade genuína do cristão é “andar de acordo com a posição em que estamos, e que carrega suas obrigações”. 

Andar requer ação de dar um passo após o outro. Somos livres e responsáveis pelas formas usadas para nosso desenvolvimento moral, que determinam nossas vontades, nossa forma de atingir o nosso propósito e por consequência nossas escolhas. 

Para os cristãos, o importante é nunca perder de vista o ponto de equilíbrio e a referência. O discernimento de andar ligados à graça de Deus e não a qualquer outra coisa. 

Para que qualquer técnica de apoio funcione, um exercício inicial é importante, que pode ser resumido na pergunta: o que você quer? Muitas vezes embarcamos em diversas teorias, terapias ou rituais religiosos, buscando nos livrar dos desconfortos – os sintomas – sem buscar entender as razões – a doença – que normalmente não estamos dispostos a enfrentar.

A dor nunca é o problema, ela é um grito de alerta. Se você só quer atacar a dor, ajuda nenhuma (nem do alto) vai resolver. Precisamos encarar nossas crenças, os porquês das causas que abraçamos, dos partidos que tomamos. De onde vêm certos desejos em nós, certos medos ou vontades? Certos comportamentos? Sem esse exercício sincero, qualquer tipo de ajuda não terá efeito.

Que possamos não só tomar consciência de nossas escolhas, mas estar atentos a tudo que consumimos e pensamos com frequência que a médio e longo prazo são capazes de moldar nossas reações e nosso querer.

Quer cair em golpe, que caia! Só se lembre que a escolha é toda sua.

“Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.” Filipenses 4:8