
“Deus faz a parte dele, mas você precisa fazer a sua parte”…
Você já ouviu esta frase de alguém?
Tenho refletido bastante sobre ela nos últimos dias, e está longe de mim traçar uma resposta definitiva ou um ensino a respeito.
Algumas questões que surgiram, foram: o que podemos acrescentar ao trabalho de Deus em nós? Se eu não fizer minha parte, o que muda? Qual seria a minha parte?
Existe algo muito pernicioso nesta afirmação, que não conseguimos repelir sem uma profunda avaliação sincera do nosso próprio coração em sujeição à Palavra de Deus.
A princípio negar que precisamos fazer nossa parte sugere que acreditamos poder continuar nossos caminhos em pecado e que isso não interferirá nos planos de Deus, seja adiando nossas bênçãos ou precipitando nossa ruína espiritual. (O que nada tem a ver com a segurança eterna da nossa salvação).
Por outro lado, sugerir que precisamos meter nossa colher da vontade própria para dar um empurrãozinho nas obras de Deus em nossa vida é não crer de fato no poder de Deus para conduzir nossos passos e precisamos pegar as rédeas e conduzir nossa carruagem.
Uma coisa faço…
Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Filipenses 3:13,14
Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. João 14:6
Se o Senhor Jesus é o alvo e o caminho, o que Deus pode esperar de nossa parte? Quem nos aconselha a fazer nossa parte (ou nos acusa) estão geralmente desapontados com nosso fraco testemunho, ou sob maligna interferência colocando pedras em nosso caminho.
Querem nos dizer: “Deus não está te ajudando, porque se Deus fosse suficiente ‘sem a sua parte’ você não estaria cometendo erros ou caindo em pecados”.
“Ninguém, sendo tentado, diga: de Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência”. Tiago 1:13,14
Nosso primeiro sentimento diante destas circunstâncias é tentar moldar o comportamento exterior para nos livrarmos do julgamento alheio. Mas isso não resolve a causa raiz do problema. Seria o mesmo que nos moldar ao mundo. E é o que frequentemente acabamos fazendo…
Se não existe força interna de nada adianta fazer algo por nossos próprios esforços naturais. E a força interna vem da comunhão com Deus e nosso Senhor Jesus, pela oração e exercício da Palavra.
Num tempo em que parei de olhar para meus esforços, ou procurar força em minha natureza para resistir a um mal específico, foi quando surgiram essas palavras me sugerindo que eu estava no caminho errado por não apresentar resultados imediatos.
Se a mudança não ocorre num passe de mágicas, alguém vem e diz “onde está o seu Deus”? Ou: “faça a tua parte, você nada tem feito aos olhos do mundo para evitar o que você mesmo diz ser errado”!
Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim. Romanos 7:19,20
“Não deixes que seja motivo de piada para as nações que dizem: ‘Onde está o seu Deus?’”. Joel 2:17
É triste ser motivo de falação, é lamentável tropeçar no caminho da fé. Sempre haverá alguém nos apontando o dedo, muitas vezes com razão, mas sujeitas a um propósito muito além de nos edificar. Por outro lado, desviar os olhos de nós mesmos, do que quer que digam que a gente tenha que fazer e olhar para Cristo é o caminho, o único.
É esperar nele a força necessária, pelo poder do Espírito Santo para mover as pedras do tabuleiro e favorecer a causa das nossas orações. Muitas vezes o próprio dedo acusador do inimigo de nossas almas acaba sendo usado para mudar um rumo indesejado que dávamos para nossas vidas.
Não se trata de julgar as pessoas que nos criticam e apontam os dedos. Elas muitas vezes são os meios usados para nos chocar a consciência, outras vezes são usadas para nos testar a fé e ver se cairemos no erro do conformismo externo, que nos leva a hipocrisia, pois fingimos ser quem não somos, e a incongruência fica ainda mais evidente.
Mas se admitimos a fraqueza dos nossos recursos próprios, então o poder de Deus se aperfeiçoa e habita em nós. Que a fé em nosso Senhor Jesus possa nos dar sabedoria e o discernimento necessário.
Leituras para inspirar:
Escolhas – Christian Treasury
As 2 naturezas no crente – Parte I – Gordon H. Hayhoe (até a parte VII)