
O corpo fala só não aprendemos a ouvi-lo como deveríamos!
A medicina egípcia e chinesa sempre esteve atenta ao fato de que aquilo que chamamos de doença são manifestações emocionais psicossomáticas.
No entanto, não se trata de uma crendice cultural desses povos. Um dos exemplos mais emblemáticos e digno de nota é uma frase de Jesus Cristo que diz assim:
“O que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem”. Mateus 15:11
Jesus era um grande contador de histórias e sabia que a melhor forma de transmitir grandes verdades sem parecer pedante ou técnico demais, era por meio de alegorias.
Algumas vezes a figura de linguagem filtrava a mensagem dos desavisados que não conseguiam entender, bem como acontece hoje no Twitter…
Pedro, um dos discípulos, pediu explicações. Foi quando Jesus complementou:
“Ainda não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce para o ventre, e é lançado fora? Mas, o que sai da boca, procede do coração, e isso contamina o homem. Comer sem lavar as mãos, não contamina o homem”. Mateus 15:17-20
Quantas vezes temos um mal estar e achamos que comemos algo que nos fez mal, ao invés de refletir sobre o que em nossa vida está penoso para digerir ou que está nos deixando com receio? A expressão “se borrar de medo” tem fundamentos que nem imaginamos!
No século XX, Freud sugeriu que existia uma mente dentro do corpo; Wilhelm Reich por sua vez sugeriu que mente e corpo eram uma coisa só; Alexander Lowen por fim afirmou que somos mente, corpo e espírito numa complexa relação entre si.
Foi Lowen quem realizou estudos sobre a relação mente-corpo no desenvolvimento da dor, e aprofundou os estudos de Reich que mostrava a relação entre o formato do corpo e as tendências psico-comportamentais, sendo que cada grupo de indivíduos que possuíam o mesmo padrão dos chamados traços de caracteres, tinham tendências comuns de reação às dores.
Já no presente século, três pesquisadores brasileiros, Elton Euler, Guilherme Geest e Vanessa Cesnik desenvolveram um método e uma ferramenta capaz de medir quanto de cada traço de caractere cada pessoa tem, e dessa forma se tornou possível um diagnóstico mais assertivo de tendências.
Não só tendência a doenças, mas de dependência emocional, nível de ambição nata entre outros fatores. Todas essas descobertas científicas corroboram com a ideia de que o corpo é um livro aberto em busca de leitores.
Cada um de nós é um livro inédito, e muitos negligenciam não só a leitura como os cuidados com o próprio livro. Não damos o devido cuidado ao nosso corpo, nem à nossa mente. Alguns cuidam muito da mente e esquecem o corpo, outros fazem o inverso, e poucos se dedicam ao espírito.
Reflita: você se preocupa demais com o que pode ou não pode comer? Já pensou que todas as nossas emoções se comunicam com nosso corpo, que por sua vez conversa com nosso estado de espírito?
Cuide do seu coração (espírito), pois deles procedem os pensamentos da sua alma (mente), a fonte das decisões do que você faz com seu corpo.
Aproveita para deixar aqui nos comentários qual a sua percepção. Seu corpo é um livro que você sabe ler ou está pegando poeira na estante da vida?
Bibliografia:
Traços de Caractere ao Longo da História, MAIA, F.A., Reis, E.E.S. 2022. International Journal of Development Research.